Depoimento
Maria Neuza Freitas
Eu conheci o Frei Rui em 12/12/1985, quando fui internada no Hospital São Roque.
Eu morava em Palmeirinha, no interior do Paraná e trabalhava na roça com a minha família. Um dia comecei a perceber feridas na minha pele e fui no médico, em Guarapuava-PR. Lá eles fizeram o diagnóstico da hanseníase. Eu tinha 25 anos e passei um tempo tratando a doença em Guarapuava. Quando minha mãe faleceu, fui internada no São Roque.
Foi muito triste quando cheguei ao Hospital São Roque. Nos primeiros três meses, eu fiquei desolada. Tudo muito triste. Pessoas eram mutiladas, sem pé, sem dedos. Depois, aos poucos, fui me acostumando.
O Frei Rui sempre passava nos quartos e conversava conosco, perguntando como estávamos. Era muito gentil. Uma mão amiga.
A gente ia na Missa e a presença de Deus, do Frei Rui, das Irmãs Franciscanas de São José; era sempre um conforto na alma.
Minha família não ia me visitar o que me deixava muito deprimida. Mas o Frei Rui conversava com a gente e falava que a família era o ambiente onde estávamos. Eram os amigos. Ele falava: “Converse com as pessoas, faça amizade, porque a família é o ambiente onde a gente está.”
Fiquei internada por 11 anos e minha família nunca foi me visitar.
O Frei Rui sempre me ajudou muito e eu agradeço por isso. Eu não tinha nada quando cheguei, e foi ele quem me deu tudo o que eu precisava.
Quando podia, eu fazia atividades no Hospital: bordados, desenho para panos, tela para bordados. Fazia isso para ajudar o Hospital e, também, para passar o tempo mais rápido.
Lembro que na Capela São Roque tinha Novena às quartas-feiras, o Terço aos sábados e a Missa aos Domingos.
Em 1996 eu saí do Hospital e fui para a casa de uma enfermeira, cuidar das crianças dela. Mas eu tinha alta e voltava para internar de novo, porque a doença voltava também.
Depois que recebi alta definitiva, eu me casei, tive duas filhas e tenho dois netos.
Hoje eu tenho a minha casa. Moro no Jardim Santa Mônica. O Frei Rui me ajudou com tudo, inclusive a conseguir minha pensão. Quando tive minha filha mais velha ele dava leite, fraldas, roupinhas.
Hoje eu sou atendida pela ABSR – Associação Beneficente São Roque.
Obrigada por tudo, Frei Rui! Obrigada também a ABSR!
Frei Rui Guido Depiné
Hospital São Roque – vista aérea
Capela São Roque e a Casa da Fraternidade Franciscana– vista aérea
Frei Rui, as Irmãs Franciscanas de São José e comunidade, dentro da Capela São Roque