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Depoimento

Luciane Francisco da Silva

Minha família veio de Curitiba para Piraquara quando eu tinha 12 anos.

Minha mãe, viúva com 6 filhos. Seu nome era Osmarina e ela conhecia o Frei Rui. Ele dava cesta básica para minha família e sempre dava doces para nós, crianças. Somos evangélicos e o Frei Rui não se importava com o fato de não sermos católicos. Ajudava a todos por igual.

O Frei Rui foi um anjo que apareceu na nossa vida. Ele ensinou caridade, amor ao próximo. Porque como éramos muito sofridos, estávamos desencantados da vida. A vida era bruta demais. E o Frei Rui ajudou muito. Ele falava que precisávamos ter caridade. Eu estava grávida e ele me ajudou com tudo. Eu chorava muito e o Frei Rui conversava comigo. Eu ligava para ele e era ouvida, era atendida. Ele falava para nunca perder o dom do amor de Deus no coração e a caridade ao próximo. Mesmo que as pessoas me magoassem, me machucassem, tinha que amar o próximo. Era o que ele sempre falava.

Mesmo grávida, meu marido me abandonou e foi o Frei Rui que me ajudou. Nunca fez distinção de pessoas. Ajudou, inclusive, a construir a nossa casa.

O Frei Rui nos dava gás, comida, luz, água. E ele falava que apesar de ser tão necessitada, eu conseguia sorrir. A pobreza era tão grande que a gente brigava por tijolo, cal, cimento, areia; pois todos moravam no mesmo terreno.

E o Frei Rui sempre foi um anjo na minha vida. Ele falava: “Faça a sua caridade, faça o que tiver no seu coração e não se preocupe com os outros.” Ele nos ensinava que tínhamos que ser bons.

Um dia eu estava muito apurada e fui procurar o Frei Rui muito cedo. Ele estava nervoso, cheio de coisas para fazer, correndo muito. Aí eu falei que voltava outro dia e ele disse que agora que sabia do meu problema, não ia conseguir dormir se não me ajudasse. E me deu um envelope falando para eu só abrir quando chegasse na minha casa. Quando vi, tinham 400 Reais dentro do envelope. Naquela época era muito dinheiro! Aí eu consegui pagar duas contas de luz que estavam atrasadas, a água, o gás e ainda fiz a compra do mercado. E quando eu liguei para agradecer, ele disse que não era para agradecer, ele não queria agradecimento.

Quando eu comecei a trabalhar num Hospital, eu disse para ele que não precisava mais da cesta básica, mesmo assim ele ajudava. Ele dizia que a gente precisava comer bem, principalmente por causa das crianças, e o meu salário era muito pequeno. Ele tinha razão. E continuou ajudando a gente.

O Frei Rui não aguentava ver o sofrimento de alguém e não ajudar. Se soubesse, tinha que ajudar.

Ele conversava muito comigo. Eu sempre ligava e ele vinha ver se eu estava bem, pois eu tinha depressão. Como eu não queria incomodar, porque o Frei já estava doente, não liguei mais para contar os meus problemas. Aí, um dia ele veio com a Kombi, todo dolorido, com muito problema na coluna e no joelho, mas veio para ver como eu estava. Ele estava com dor na coluna e meu marido foi junto levá-lo de volta para casa. Ele estava doente, sentindo dor; mas preocupado comigo.

A última vez que tive contato com ele, ele veio em casa buscar uma máquina de costura que ele tinha emprestado para o meu marido. Como meu marido tinha comprado outra máquina, ele devolveu a do Frei Rui. E o Frei chegou com a Kombi cheia de doces e minhas filhas, já crescidas, correram para buscar os doces como se ainda fossem crianças. E ele trouxe muitos doces para todos. Foi uma felicidade!

O Frei Rui nos apresentou a Lindaura, da Associação Beneficente São Roque. E ela ajuda muito a todos nós. A minha mãe teve câncer e quando a Lindaura chegava em casa, só a presença dela, fazia minha mãe melhorar. A Lindaura levava fralda, lençol, roupa, leite, remédios para minha mãe.

Eu tenho quatro filhas, dois netos e cuido da minha irmã que tem Síndrome de Down. Hoje eu também cuido da minha sogra que é acamada. Minhas filhas ganhavam presentes da Lindaura, além dos doces do Frei Rui. Agora meus netos também ganham os presentes da Lindaura. Eles ajudam a gente a três gerações.

A Lindaura ficou com esse legado do Frei Rui. Ela ajuda muito todos nós, as vezes até com o seu próprio dinheiro. Minha mãe precisava de um suplemento especial por causa da doença, e a Lindaura trazia. Ela dá continuidade ao trabalho do Frei Rui. É um anjo que o Frei deixou aqui na Terra para ajudar a gente.

Por isso fiz questão de dar este depoimento. E aproveito para dizer: muito obrigada por tudo!

“O Frei Rui foi um anjo que apareceu na nossa vida”

O Frei Rui falava: “Nunca perca o dom do amor de Deus no coração.”

Lindaura Linhares Kintopp dá continuidade ao trabalho do Frei Rui

Associação Beneficente São Roque: Legado do Frei Rui