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Depoimento

Hariete Garbuio

Você contou estrelas para mim.

“Em 1986 eu tinha uma loja em Santa Felicidade. Uma papelaria. Todos os dias, o valor da primeira venda era guardado para que, no final do mês, doássemos a alguma Instituição de Caridade ou pessoa que sabíamos que estivesse precisando. Poderia ser uma compra de um lápis de um estudante ou uma grande compra de empresa. Não importava. Todos os funcionários sabiam. Era a regra: a primeira venda ficava guardada para a caridade.

Um mês havia arrecadado uma boa soma. Fui no Carrefour e fiz uma grande compra e combinei com meu filho de irmos levar ao Hospital São Roque. Eu nunca tinha ido até lá. Naquele dia tudo estava dando errado. Meu marido teve problemas com o carro, meu filho precisou ir ajudá-lo e parecia que eu não conseguiria fazer a entrega. Mas insisti. Sozinha, me dirigi ao local e me falaram que havia uma plaquinha indicativa. Pois achei o Hospital São Roque e conheci o Frei Rui e as Irmãs.

O Frei Rui me levou para conhecer dentro do Hospital. Era impressionante a quantidade de pacientes. As enfermarias eram lotadas.

Em uma outra ocasião, ele me levou para conhecer uma interna que estava em cima de um criado mudo fazendo movimentos com a cabeça e os braços. Quando ela se virou para nos cumprimentar, vi que ela não tinha nariz, não tinha mãos, os pés eram virados para dentro e ela tentava comer com o antebraço. Era a Zefa. E o Frei Rui perguntou: “Tudo bem, Zefa?” E ela respondeu: “Graças a Deus, está tudo bem!”.

Comecei a ir sempre para o Hospital São Roque e chamei amigas e formamos um grupo para ajudar no que fosse preciso.

O Frei Rui nos levava para conhecer e ajudar famílias que moravam nos arredores. Tudo muito pobre, muito carente. Um dia chegamos numa casa e não tinha teto. Eram só 4 paredes e um plástico em cima e chovia muito. Nós havíamos doado todo o dinheiro que tínhamos, pelo caminho. Mas ao ver aquela situação, falei: “O Sr. Thomaz vai fazer o seu teto”. E fomos pedir e ele fez o teto e o reboco. As janelas, a família mesmo fez.

Minha mãe, Adelaide Berton, sempre fazia sapatinhos para as crianças carentes, a pedido da Irmã Lucila. Foram muitos sapatinhos!

Nós íamos colher frutas numa chácara, para levar ao Hospital. Bananas, mimosas, e muitas frutas. E o terreno era acidentado e o Frei carregava cachos e mais cachos de banana que eram bem pesados. E um dos voluntários, bem maior e mais forte que o Frei, falava do peso do cacho. e o Frei, sempre solícito, falou: “Está pesado? Pode pôr aqui nas minhas costas que eu levo...” Ele nunca media esforços.

A Anna Thais Fuck teve a ideia de fazer uma Associação para ajudar no trabalho do Frei Rui e ela nos convidou. Nós nos reuníamos no seu atelier chamado “Atelier de Arte Barro Puro”, e depois de muitos meses de planejamento, fundamos a Associação Beneficente São Roque, em 19 de março de 1988.

Eu fui a primeira Presidente, e como tal, atuei pelo período de 1988 a 1995.

Fizemos muitas festas de Natal, bingos e jantares para arrecadar fundos e ajudávamos em tudo o que podíamos.

Mas um dia fomos avisadas que não poderíamos mais visitar o Hospital. Nunca entendi direito o por quê mas alegaram medidas sanitárias. Nunca tínhamos tido problemas, mas fomos proibidas e ficamos muito tristes. Então, certo dia, chega na minha casa um jovem que tinha um programa de rádio e disse: “Dona Hariete, se não deixarem vocês entrarem no Hospital, ligue para mim” E me deu três números de telefone. E lá fui eu para o Hospital. Na portaria já me receberam muito bem e nunca mais ninguém falou nada sobre a entrada das voluntárias no Hospital. Este jovem era o Ratinho. Nunca tive a oportunidade de agradecer a ação benevolente dele mas aproveito, agora, para agradecê-lo. Nunca esquecemos o gesto dele.

Fizemos muitas atividades para arrecadação de fundos. Jantares do Restaurante Madalosso, Bingos no Pinheiros (Paraná Clube) e Festa de São Roque e um dia o Rafael Grecca nos chamou para uma reunião no Shopping Novo Batel. Não sabíamos o motivo. Chegando lá ele comunicou que iria começar a Festa de São Francisco no Largo da Ordem e as Instituições deveriam organizar barracas para esta Festa. Eu, sem saber o que fazer, e achando que não conseguiríamos assumir tal compromisso, me levantei e falei que, como Presidente da Associação São Roque, eu agradecia o convite mas éramos uma Associação muito nova e não teríamos como assumir tal responsabilidade. Ao que o Grecca falou: “Garbuio, a Associação São Roque vai participar sim”. E por muitos anos nós tivemos a barraca na Festa de São Francisco, no Largo da Ordem. Vendíamos de tudo e toda receita ia para ajudar os carentes.

Depois que deixei a Presidência, assumiu a Dra. Isabel Klüger Mendes. Mas eu continuava ajudando. Um dia fomos chamadas para um evento. Ninguém comentou sobre o que se tratava. Chegamos lá e era uma homenagem da Associação São Roque a todas as ex-presidentes. As crianças cantaram e foi muito lindo e emocionante.

No final, nos deram uma pedra com estrelas desenhadas e um cartão onde estava escrito: “você contou estrelas para mim.”

A grande amiga e colabora: Hariete Garbuio

O grande amigo: Frei Rui Depiné

Hariete, você contou estrelas para mim: assinado Andressa

Hariete Garbuio ganhando Placa comemorativa de 10 anos da ABSR,

das mãos da grande amiga, Dra Isabel Klüger Mendes

Bingo no Pinheiros – Paraná Clube, para arrecadar fundos com o objetivo de comprar mantimentos para as famílias atendidas pela Associação Beneficente São Roque.

Almoço Beneficente no Restaurante Madalosso para arrecadar fundos para as ações de atendimento de famílias carentes atendidas pela Associação Beneficente São Roque.

Frei no Jantar Beneficente do Madalosso, trazendo uma palavra do Evangelho e abençoando o evento.

Frei Rui entre a Dona Inge e Hariete Garbuio, na casa da Hariete. Amigos para sempre!