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Depoimento

Dr. Plínio Barroso de Castro Filho

Papai Noel existe!

Natal. Final da década de 1980. A Kombi do Frei Rui sacolejava pelos bairros periféricos de Piraquara, cheia de brinquedos e doces para as crianças, e com voluntários, incluindo um Papai Noel.

Um dos voluntários comentou sobre aquele terreno que havia sido invadido por pessoas muito pobres, que não podiam pagar. E perguntou: “Quem será o dono deste terreno?”. O Frei Rui respondeu: “Está sentado no banco de trás da Kombi. É o Papai Noel.”

Dr. Plínio Barroso de Castro Filho era o Papai Noel, dono do terreno.

Em seu emocionante depoimento, Dr. Plínio nos conta:

“Conheci o Frei Rui há quase 40 anos. Em 1984 eu tinha um terreno em Piraquara que foi invadido. Eu fui lá e encontrei o Frei Rui e ele me convidou para conhecer o São Roque. Fui, e ficamos muito amigos. Tomei café na casa das Irmãs e comecei a ajudá-lo como voluntário, nas festas para as crianças. Eu já fazia distribuição de presentes de Natal em Curitiba. Ia em Hospitais, principalmente no Pequeno Príncipe.

Eu sempre fui vestido de Papai Noel.

Há 18 anos atrás, eu estava entregando presentes no Natal junto com o Frei Rui, e uma menina me falou: “Papai Noel, você viu a Mariana?” Eu falei: “Não”. E a menina começou a chorar muito. Eram duas irmãs: Marina e Mariana. A Mariana havia morrido e falaram para Marina que ela estava com o Papai Noel. Imediatamente eu refiz minha resposta e disse: “Claro que vi! Vi Mariana no céu! Ela está muito, muito feliz!” E Marina ficou consolada, feliz ao saber que Mariana estava bem.

Uma outra vez um menino chegou bravo. Disse que não acreditava em nada, nem em Papai Noel. E eu cheguei com os brinquedos e ele disse: “Existe sim. Fui eu que escrevi pra ele!”.

A distribuição também era feita dentro do São Roque. As crianças estavam sentadas numa mureta na lateral da Capela, à espera dos brinquedos. E uma criança disse que não acreditava em Papai Noel. E eu respondi: “Mas eu estou aqui! Sou eu! Eu sou o Papai Noel!”. Todos ficaram felizes.

Criança precisa de fantasia. Precisa do lúdico. E Papai Noel existe! Eu sou um deles.

Alguns amigos do Frei Rui me contaram que ele estava precisando de dinheiro para arrumar a Capela. Eu fui lá e me ofereci a pagar o conserto necessário. Ele aceitou, mas me pediu que eu fizesse 6 cheques ao invés de um único cheque com o valor necessário. Eu fiz como solicitado e ele entregou os cheques para seis famílias necessitadas. Um cheque para cada família. Eu perguntei a ele por que, já que a Capela também precisava do conserto. E ele me respondeu: “Essas famílias precisam mais.”

Quando ganhava algum presente, ele repassava imediatamente. Uma vez eu lhe dei um sapato. Ele disse: “Amigo, não me leve a mal. Mas eu só uso sandálias franciscanas.” E deu o sapato imediatamente.

Um dia o Frei Rui me levou para o bairro de Guarituba e me mostrou crianças caçando rãs. Ele me disse: “Essa é a única proteína que eles têm para comer.”

O Frei Rui ajudou quem podia. E eu fiz a minha parte.

Ainda hoje me visto de Papai Noel e faço visitas para crianças em Hospitais. Vou principalmente no Pequeno Príncipe. Eu faço a minha parte. Porque Papai Noel existe!

Dr. Plínio Barroso de Castro Filho

Dr. Plínio vestido de Papai Noel

Papai Noel existe!

Frei Rui: um grande amigo.