Depoimento
Debora Cristina do Prado
Eu fui criada no bairro Jardim Santa Mônica, em Piraquara – PR, e sempre ia nas Missas do Frei Rui, junto com a minha família. Minha avó foi interna do Hospital São Roque e o meu pai era vigilante lá. Ele se chamava Luiz Carlos Prado, mas todo mundo o conhecia por “Caveirinha”, porque ele era muito magro. Minha mãe trabalhava numa fábrica de móveis. Hoje ela é costureira. Chama-se Maria Alves, mas todos a conhecem por Dona Gracinha.
Eu tenho cinco irmãos. Somos em quatro meninas e dois meninos. Eu sou a mais velha.
Eu era criança e lembro dos doces que o Frei Rui distribuía e do Ovo de Páscoa gigante que ele recebia. Era um chocolate delicioso. Ele tinha que subir numa escada e usava uma machadinha para conseguir tirar os pedaços de chocolate do Ovo. Na Sexta-Feira Santa, o Frei Rui passava nas casas distribuindo peixes para todos.
Naquele tempo, tinha Missa do Galo na Capela São Roque. Começava às 22 horas e terminava a meia noite. Um ano todos fomos celebrar a Missa do Galo e, na volta, a minha irmã Andreia Cristiane do Prado se perdeu, e nós não percebemos. Eram muitas famílias com muitas crianças, indo todos juntos para a Missa. Então, minha mãe não deu pela falta da Andréia no caminho.
Quando chegamos em casa, minha mãe ficou desesperada. Todos nós fomos procurar a Andréia e não achávamos. O desespero era geral.
De repente, o Frei Rui apareceu no seu Fusca, (que era o carro que ele tinha na época), com a Andréia.
Ele tinha encontrado minha irmã nas proximidades do Cemitério do Hospital.
Ela, toda feliz, trazia um monte de balinhas nas mãos. Aí ele trouxe, também, uma cesta básica e mais um monte de doces para todas as crianças.
Foi um alívio muito grande e uma alegria imensa!
Quando ele viu a quantidade de crianças, ele falou: “Não me admira que você tenha perdido uma!”
Meus pais se separaram e as coisas ficaram mais difíceis. Aí o Frei ficou ajudando a nossa família com cesta básica, roupas e tudo o que precisávamos.
Um dia meu pai pediu para o Frei Rui me deixar ajudar numa Festa Junina que teria no São Roque. E ele deixou. Almocei com eles e foi quando conheci as mulheres que ajudavam o Frei Rui na época. Isso foi antes da fundação da Associação Beneficente São Roque. Estavam lá várias senhoras, mas eu lembro do nome da Dona Hariete Garbuio, Dra. Isabel Mendes, Dona Maria do Rocio Munhoz, e da minha segunda mãe: a Dona Maria Julia Alvim.
Fui trabalhar na casa da Dona Maria Julia. Trabalhei lá por 31 anos. Infelizmente ela faleceu o ano passado, mas eu gostava muito dela e ela de mim.
Eu casei e tive dois filhos do primeiro casamento – Bruna Cristina e Gabriel José. Do meu segundo casamento, tive o Matheus Felipe.
Minha filha me deu uma neta: a Heloísa Cristina.
Meus filhos estão crescidos, eu trabalho como cozinheira e cuidadora, e estou pagando minha casa própria, que era do meu irmão.
Graças ao Frei Rui eu conheci a Dona Maria Julia. Eles me ajudaram muito e eu sou agradecida.
Minha vida nem sempre foi um caminho fácil. Mas com muito trabalho e bastante esforço, eu procuro viver no caminho do bem.
Obrigada por tudo, Frei Rui! Obrigada por tudo, Dona Maria Julia!
Debora Cristina com os filhos: Bruna Cristina, Gabriel José e o caçula Matheus Felipe
O pai Luiz Carlos – o “Caveirinha”, era vigilante do Hospital São Roque
A mãe Maria Alves, mais conhecida por Dona Gracinha. Na foto com a Debora Cristina
Obrigada, Frei Rui! Paz e Bem!
Dona Maria Julia Alvim com Debora Cristina: uma segunda mãe!
Obrigada por tudo, Dona Maria Júlia!
A neta: Heloisa Cristina