← Todos os depoimentos

Depoimento

Claudia Carmona Dias

Sementes de Luz e Amor

Hoje venho contar a minha história com o Frei Rui...

Em 1997 fui agraciada, através da minha tia Edna Dias, a conhecer o Frei Rui e as Irmãs da Capela São Roque.

Era época de quaresma e estávamos arrecadando doações para a Páscoa. Minha tia tinha algumas coisas para levar para o Frei e eu fui junto.

Ao chegarmos na casa das Irmãs, o Frei Rui não estava. Então começamos a descarregar as coisas do carro da tia Edna e logo ele chegou com a Kombi cheia de doações. Eram sacos de balas que tinham que serem separadas. A cada saco que retirávamos da Kombi, éramos contagiados pelo amor através do sorriso e olhar do Frei Rui. Com a Kombi vazia ele me convidou a visitar umas famílias. Então eu fui, pois a tia iria ficar separando as doações.  O Frei pegou algumas balas, bolachas e umas telhas para irmos. Então, seguimos até estas famílias.

Desde o momento que saímos do portão do São Roque, ele não parou de acenar para as pessoas, e me contava as histórias de cada família para a qual ele acenava. Não me recordo o nome do bairro que fomos, mas lembro da quantidade de pessoas e crianças que, ao ver que era o Frei Rui, saía correndo para dar um “oi”, receber uma benção ou apenas para vê-lo.

Foram várias visitas com orações, palavras de esperança, conselhos e alguns incentivos. A cada palavra ou silêncio do Frei, eu sentia o amor fraterno de todos que ali estavam.

Após visitarmos várias famílias, voltamos para a casa das Irmãs. Já estava escuro e logo chegou uma família chorando e falando que sua casa tinha sido destelhada e eles precisavam de telhas. Então o Frei combinou que ele iria fazer algumas ligações e em 1 hora estaria levando as telhas. Não recordo nome da pessoa que comentou o seguinte:

- “Frei você viu que este homem estava mentindo, estava bêbado e deveria não ter bebido e ter comprado a telha”.

Então o Frei respondeu:

- “Eu também vi este homem ontem na chuva ajudando os vizinhos que estavam precisando. Não devemos deixar de fazer as coisas pelas aparências ou pelo o que ouviu que andam dizendo, até porque, se eu ajudei e a pessoa usou para outra coisa, quem está pecando é ela e não eu”.

E foi assim que minha luz foi despertada, e cada vez que percebia que estava me apagando, eu passava a tarde com o Frei e a recarregava. Hoje ele não está mais aqui presente, mas continua a carregar a minha luz. Só mudou o plug do meu carregador.

Frei Rui foi um grande amigo, me mostrou que deveria escutar o chamado de Deus. Hoje sou catequista e me sinto um ser de luz. Através dele percebi que todos somos luz, basta iluminarmos.

Uma vez, após a entrega de Natal, o Frei perguntou a todos que estavam na Kombi se tinham pressa para ir embora. Falamos “não”, pois vimos que tinha pouca coisa atrás na kombi. Então o Frei Rui falou:

- “Iremos numa comunidade que é bem necessitada”.

Quando percebemos, estávamos muito longe, perto do Tanguá. Eu perguntei:

- “Frei, como você conhece esta comunidade e porque não entregamos em Piraquara?”

E a resposta dele foi:

- “Eles também precisam. A mesma Kombi que leva perto, leva longe.”

Saímos de lá já eram mais de 8 horas da noite. Parecia que as crianças e as doações brotavam na mesma intensidade.

E assim, nas férias e folgas, eu dava uma passeada com o Frei Rui, pois quando eu chegava, ele perguntava:

- “Menina, tem um tempinho? Irei ali e já volto”, e este “já volto” era após horas e horas...

Eu tive a Graça de receber o sacramento do matrimônio, e batizar 2 dos meus 3 filhos com o Frei Rui. E, cada vez que percebo que minha luz está se apagando, eu converso com ele. O legado de amor fraterno do Frei Rui nunca irá acabar pois, como em mim, ele semeou no coração de muitos a semente do amor...

Viva o amor, viva o Frei Rui!

Casamento da Claudia e Flavio, celebrado pelo Frei Rui.

Edna e Edgar Dias foram os padrinhos.

Um casamento abençoado

Frei Rui e sua Kombi sempre cheia de doações e muito amor

Muitas Festas de Natal celebradas com o Frei Rui... continuam até hoje. Faz parte de seu legado.

Claudia visitando o Frei Rui, em Bragança Paulista.